quinta-feira, 2 de abril de 2015

SILÊNCIO

Ela me olhou duas vezes. Tenho certeza. Diminuiu o ritmo da caminhada. Nos aproximamos da Praça da Alfândega. Muitos bancos vazios e as pessoas sem perceber. Todo meu corpo trêmulo na predicação iminente dela.    
     Veja, eu digo, estamos tão próximos.
     Tantas pessoas tão próximas que jamais se cruzarão novamente e nós.
     No semáforo da Caldas Junior eu paro ao seu lado. Em um impulso contido eu quero segurá-la no cotovelo e dizer-lhe. Mas seus passos estão juntos aos meus. O meu hálito, o meu desejo, o meu prazer.
     Ninguém nos observa, ninguém nos escuta.