terça-feira, 3 de março de 2015

O GRILO

Cinco minutos na vida daquele grilo na água podiam ser na verdade mil anos. Ou cinco segundos.
     Ajoelhado, ficou observando-o. Apenas queria ver por quanto tempo resistiria.
     O pátio era imenso. As árvores eram imensas.
     Ainda escutava o pai chamando. Agora, aquilo não o assustava mais. Às vezes não entendia muito bem.
     Talvez tivesse ficado ali, de joelhos, por cinco minutos, ou os últimos cinquenta anos.
     O grilo ainda estava na água. Morto.
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