quarta-feira, 11 de março de 2015

DESEJO DE MORTE

Por muito tempo planejei matá-lo.
     Não permitiria que meu ódio ofuscasse meu objetivo.
     Havia mais de dez anos que eu começara a odiá-lo. Mesmo tendo sido amigos desde a adolescência, isso não me impedia o desejo de vê-lo morto. Apenas isso, morto.
     Ana guardaria luto até que as pessoas se convencessem de que era uma viúva sofrivelmente triste.

terça-feira, 3 de março de 2015

O GRILO

Cinco minutos na vida daquele grilo na água podiam ser na verdade mil anos. Ou cinco segundos.
     Ajoelhado, ficou observando-o. Apenas queria ver por quanto tempo resistiria.
     O pátio era imenso. As árvores eram imensas.
     Ainda escutava o pai chamando. Agora, aquilo não o assustava mais. Às vezes não entendia muito bem.
     Talvez tivesse ficado ali, de joelhos, por cinco minutos, ou os últimos cinquenta anos.
     O grilo ainda estava na água. Morto.