quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

sexta-feira, 29 de maio de 2015

FELICIDADE

Toninho passava as tardes em frente à tv. Ao seu lado, no sofá, um pote com salgadinhos.
     No fim, ele e a mãe sempre voltavam felizes para casa.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

SILÊNCIO

Ela me olhou duas vezes. Tenho certeza. Diminuiu o ritmo da caminhada. Nos aproximamos da Praça da Alfândega. Muitos bancos vazios e as pessoas sem perceber. Todo meu corpo trêmulo na predicação iminente dela.    
     Veja, eu digo, estamos tão próximos.
     Tantas pessoas tão próximas que jamais se cruzarão novamente e nós.
     No semáforo da Caldas Junior eu paro ao seu lado. Em um impulso contido eu quero segurá-la no cotovelo e dizer-lhe. Mas seus passos estão juntos aos meus. O meu hálito, o meu desejo, o meu prazer.
     Ninguém nos observa, ninguém nos escuta.

quarta-feira, 11 de março de 2015

DESEJO DE MORTE

Por muito tempo planejei matá-lo.
     Não permitiria que meu ódio ofuscasse meu objetivo.
     Havia mais de dez anos que eu começara a odiá-lo. Mesmo tendo sido amigos desde a adolescência, isso não me impedia o desejo de vê-lo morto. Apenas isso, morto.
     Ana guardaria luto até que as pessoas se convencessem de que era uma viúva sofrivelmente triste.

terça-feira, 3 de março de 2015

O GRILO

Cinco minutos na vida daquele grilo na água podiam ser na verdade mil anos. Ou cinco segundos.
     Ajoelhado, ficou observando-o. Apenas queria ver por quanto tempo resistiria.
     O pátio era imenso. As árvores eram imensas.
     Ainda escutava o pai chamando. Agora, aquilo não o assustava mais. Às vezes não entendia muito bem.
     Talvez tivesse ficado ali, de joelhos, por cinco minutos, ou os últimos cinquenta anos.
     O grilo ainda estava na água. Morto.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

NUNCA MAIS

Quando ele a viu entrar na sala onde estavam as outras meninas, não pode acreditar. Tão jovem, e tão linda... Era como se as outras fossem monstrengas.
     Carmem, a dona da casa, logo percebeu o interesse. Na verdade, a loucura.
     "É sua" disse-lhe ao pé do ouvido. "Pensei apenas em você."
     Nina era o seu nome.
     "Estou me arriscando em ir presa" ela disse. "Veja lá..."
     Na verdade havia outras meninas do mesmo tipo na casa. Mas nenhuma tão jovem. Carmem a anunciava como sua enteada. Pediu a ela para servir um copo de uísque a ele. Tinha a pele muito clara e os olhos cristalinos. Vinha de uma daquelas pequenas cidades serranas... morava com os avós que não tinham como sustentá-la.
     "Carmem, você é maravilhosa."
     Antes de ir para o quarto, Carmem disse-lhe que fosse cuidadoso, ela nunca tinha estado ali antes.
     Ao fechar a porta, ela sentou-se na ponta da cama. Usava um vestidinho de chita e sandálias. Os cabelos presos, lisos... Olhava-o cuidadosamente.
     "Você sabe, não é?"
     De olhos baixos, disse que sim.
     Ele sentou-se em uma velha poltrona ao lado da cama e disse a ela para lhe tirar os sapatos e as meias. Depois, tirou o cinto e abriu a calça.
     "Tire o vestido" ordenou.
     Não usava nada por baixo. Os pelos eram ralos e loiros, um pequeno, discreto tufo no monte de vênus.
     Mandou-a sentar-se e abrir as pernas. Começou a masturbar-se. Masturbou-se até gozar, enquanto ela chorava. Limpou-se no vestido dela e foi-se embora.

     Nunca mais voltou.