quarta-feira, 30 de julho de 2014

A LUZ OSCILANTE

A mãe dela me disse que ela estava de cama. Febre. Não podia me receber. Nem cheguei a passar o portão. Saí e contornei a rua lateral; pelos fundos, fui até a janela do quarto. A veneziana fechada, bati de leve. A insistência foi a minha vitória. Poucos minutos depois, acocorado em baixo da janela, escutei sua voz.
     "Você está louco" ela disse.
     "Venha aqui fora."
     O silêncio me esclarecia tudo. No lusco-fusco ela abriu a veneziana e disse que a mãe não tirava os olhos dela, e logo o pai estaria em casa.
     Num salto, pulei a janela.
     "Coloque o trinque na porta" disse a ela.
     Beijava sem titubear seus pezinhos, seu corpo quente e pálido. A colcha de beija-flores no chão. Quando a porta foi forçada, a noite envolveu-me em sua escuridão.
     Na calçada, sob as luzes fracas e oscilantes, acendi um cigarro.
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