domingo, 1 de junho de 2014

ELA

Deitado na cama, sentia-se doente. No fundo, tinha vontade de morrer. Há quantos dias não recebia a visita dela? Finalmente escutou a campainha. Ela trazia junto a filha. As duas eram lindas. A menina tinha uns oito anos e os mesmos traços, as mesmas angulações da mãe. Na sala, ficou vendo tv.
     "Pensei que você não viria mais" ele disse, fechando a porta do quarto.
     A mulher tirou os sapatos e empurrou-o na cama.
     Ela havia prometido não mais voltar ali. Mas, abraçada em seu pescoço, beijou-o cegamente.
     Ele teve de tapar-lhe a boca para que a menina não a escutasse da sala.
     Deitada em seu braço, disse que o amava.
     Antes de sair do quarto, arrumou os cabelos e o batom.
     Na sala, a menina dormia no sofá.
     "Às vezes ela me assusta" disse, acordando-a.
     Ele ficou parado na porta do quarto, fumando.
     As duas saíram, a menina ainda olhou-o, mas ela, não.