terça-feira, 1 de abril de 2014

ARCELIA

    Quando criança, pensava ser uma princesa; agora, em um set de filmagens improvisado, sentia o maior pênis que já vira em sua vida penetrá-la destruindo-a por dentro. Uma câmera filmava seu rosto em close-up, outra os movimentos do pênis em seu ânus e outra os dois na cama. Não havia pausa, apenas uma tomada sem cortes. Recebera um bom valor para isso. O homem atrás das câmeras lhe dissera para não gritar, não gemer alto demais, não precisava esconder a dor, podia mostrar um pouco mais de dor se fosse preciso, mas sem escândalos.
    Arcelia apertava firme entre os dedos o lençol. Os dentes, um pouco irregulares, cerravam-se com tanta força que pareciam prestes a quebrarem, então, o homem atrás das câmeras mandou-a sorrir um pouco, demonstrar um pouco mais de prazer, pense no dinheiro, ele disse.

    Arcelia fechou os olhos e sorriu.