terça-feira, 3 de setembro de 2013

SONHO PROFUNDO


I never dreamed the sea so deep,
The earth so dark; so long my sleep,
I have become another child.
I wake to see the world go wild.”

An Eastern Ballad – Allen Ginsberg








Estavam sem cigarros. Os dois tinham bebido tudo o que havia em casa, e ela dissera que iria ao bar comprar cigarros e mais bebida. “Fique onde você está”, ela disse. E saiu. Ele, completamente bêbado, ficou deitado no sofá, esperando. Acordou-se já passando da uma da tarde, e o sol quente e forte. Ela não estava lá. “Arlene!” chamou duas ou três vezes. Levantou-se cambaleando e, no banheiro, ao lavar o rosto, viu que sua aparência estava realmente uma bosta. Desgrenhado, barbudo... a cara inchada. Encheu as mãos com água e bebeu. Pro inferno, aquilo parecia bom. “Você deve estar de brincadeira”, disse em voz baixa. Precisava comprar mais bebida e cigarros. No bar, do meio da quadra, ficou sabendo que Arlene fora atropelada na outra noite. Não conseguia acreditar. Encostou-se no balcão, fumou um cigarro, bebeu uma cerveja... e aquela droga de vazio no peito, a vontade de gritar.