segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

ADELA

Tinha separado uma garrafa de cerveja e deitou-se na piscina de 1000 litros montada no fundo do pátio. Estava anoitecendo e seria mais uma noite estrelada e tão quente quanto fora o dia. Aquilo era a única coisa que valia à pena, chegar em casa e refrescar-se bebendo uma cerveja.
Fazia pouco mais de um mês que Adela fora embora; ainda havia alguns coisas dela na casa. Na verdade, aquela piscina era dela. Depois de beber a cerveja, saiu da piscina e foi conferir os objetos que ela deixara. Estavam lá. Pegou outra cerveja e voltou para a piscina. Na última noite, acordou no meio da madrugada, bêbado na piscina. Depois, procurou algumas fotos, e molhou a casa e a cama. Acordou-se com o despertador às 7:00 h.
O casamento deles havia durado cinco anos.
— Foi tudo um erro — ela disse.
Saiu da piscina, pegou um saco de lixo grande e foi juntar todas as coisas que restavam de Adela na casa. Voltou para a piscina, deixando o saco ao seu lado. Sentia muita falta do sexo com ela. Tinha sido a melhor mulher que conhecera na cama. Às vezes, parecia que o sexo não teria limites. Era como se fechassem os olhos e a humanidade aceitasse que tudo era sexo, sem culpa, sem medo, sem nojo. Da última vez ela lhe dissera: — Você é a melhor foda, sabia?
Adela era mais velha do que ele. Tinha mais amigos do que ele. Tinha mais conhecimento do que ele. E sabia foder melhor do que ele.
Abriu a geladeira, precisava comprar mais cerveja. Pegou o dinheiro, mais três garrafas e foi até o mercado. Não havia ninguém, além dele, comprando. Era quase dez da noite. Pagou, saiu, na calçada sentiu-se mal. Sua cabeça parecia girar, suas pernas ficaram fracas, e sentiu náusea.
Deitou-se novamente na piscina, abriu uma garrafa de cerveja e começou a beber. O céu estrelado realmente o tranquilizava...

domingo, 15 de janeiro de 2012

LIMITE

Você não fala mais comigo. Esse é o problema, na verdade é o meu problema. As pessoas me olham e eu não tenho coragem para dizer o que se passa em minha cabeça; ninguém aguentaria. Então, você me diz que os dias estão mais dificeis, que isso tudo está se transformando em um pesadelo...
— O que você quer de mim? — ela diz.
Meus lábios estão costurados. Os meus olhos, vidrados e todos os dias eu me pergunto quando vou sair desse inferno, desse vazio.