terça-feira, 23 de novembro de 2010

A MAIOR MERDA DO MUNDO

Acordei no sofá no meu único dia de folga sem a mínima vontade de fazer qualquer coisa. O apartamente estava sujo e bagunçado...
A minha campainha tocou. Edna entrou carregando uma bolsa grande e foi logo sentando-se no sofá. Ofegante, disse que tinha saído de casa. Fiquei parado ao lado da porta olhando-a. Edna tinha uma bunda muito grande e aquilo me deixava louco.
Ela começou a falar e falar, não dava trégua. Acendia um cigarro atrás do outro e disse inúmeras vezes que havia bastante tempo tinha tomado aquela decisão.
Você está brincando, não? eu disse.
Olhe pra mim, você acha que estou brincando?
Eu só conseguia pensar em sexo. Queria vê-la pelada, olhar sua buceta, sentir o gosto dela, o cheiro dela...
Ei, você não tem nada para beber? ela perguntou.
Peguei dua cervejas.
Você sabe que não posso ficar perto de você, eu disse. Não consigo pensar em mais nada.
Entrávamos no verão e a vida fica um inferno no verão, a pressão do sangue não deixa ninguém em paz.
Você está ficando bagaceiro; não gosto disso...
Aquela hora o barulho dos carros e ônibus e caminhões que vinha da avenida era inquietante. Edna reclamava da sirene das ambulâncias quando passavam... Eu morava a meia quadra de uma emergência cardíaca... Me aproximei dela, Edna com aquela postura indefectível de uma dama com as pernas abertas e fumando e falando e sua buceta vibrando, explodindo, gritando, pedindo por mim. Me ajoelhei e a lambi por cima da calça mesmo.
Você está louco?
Completamente...
Você deve estar bêbado...
Sempre estou bêbado e você sabe disso...
Edna tentou fechar as pernas e talvez quisesse levantar-se; não deixei. Ela chorou e eu disse o quanto ela era gostosa e o quanto me deixava descontrolado e o quanto eu era homem e ela sempre gostou...
Segurei firme seus pulsos enquanto procurava a sua boca e a sua língua... começou a chorou novamente e disse que tinha pego todo o dinheiro do marido, e quis mostrar-me a bolsa e o dinheiro espalhado...
Não precisava tê-lo roubado...
Ele é nojento, Edna dizia. Não gosta de me ver pelada, nem gosta de me dar prazer do jeito que você faz... E tenho de suportar seus amigos parasitas que não saem de nossa casa e tenho de agradá-los... Não suporto mais...
Me sentei no sofá e continuei bebendo. Edna colocou a bolsa à tiracolo e saiu.
Fiquei sabendo que ela encontrou o marido no Papas completamente bêbado e beijou-o compadecidamente e levou-o para casa.
A maior merda do mundo, nunca mais fodi a Edna.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

CADELINHA LOUCA

Louca. Cadelinha louca. Me fez seguir o teu cheiro. Até poesia escrevi. As pessoas riam de mim, mas que importância? Ninguém além de mim poderia sentir o gosto da tua buceta: o Éden... Louca cadelinha que depois de eu comer me pedia com naturalidade, venha, meu bem, faça um xixi bem gostoso em mim...

quarta-feira, 7 de julho de 2010

A FESTA

Pude observá-la a noite toda; embriagou-se de tal modo que não foi preciso mais do que o convite para dançar.
Ela foi comigo para a rua, as noites de outono em Porto Alegre são realmente frias, e ela já não sentia muito bem o corpo, nem o frio, nem escutava com clareza a minha voz, mas para quê?
Em seu apartamento, a música foi ela quem escolheu; os nós em seus pulsos e tornozêlos, bom, esses foram meus.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

o parquinho

Tinham discutido a tarde toda. De noite, levaram as crianças ao parque. Andaram no carrossel, no autochoque, no chapéu mexicano, nos aviões e tobogã. Nem se olharam - aquela noite foi a melhor de sexo que tiveram.

sábado, 29 de maio de 2010

dE MedOs pRecoCIS

(nos últimos dias tenho escutado sons estranhos; não posso sair sozinho. Tem sempre alguém comigo. Eu nunca tinha conhecido uma cidade tão circular quanto esta. Absurdamente os prédios vazios. Tenho certeza que estão todos cegos; os mendigos têm olhos para mim. É preciso se esconder, Julian, você tinha razão. Esta noite ninguém vai me encontrar. Só a noite e as estrelas. Só a noite e as estrelas.)...

quarta-feira, 12 de maio de 2010

FIM

Dois homens trabalhavam em meu quintal. Disseram-me ter sido contratados por mim para consertar o muro.
Eu não tenho muro em meu quintal.
Os dois usavam botas de borracha com canos altos, e chapéus, e casacos, estava chovendo havia alguns dias e eles disseram que era preciso começar logo, antes do anoitecer.
Tranquei-me em casa.
Conseguia escutá-los, e escutar as ferramentas, e a terra, e a chuva, e um deles que tossia compulsivamente, meu deus, esse homem vai adoecer. É um homem velho, vou dizer a eles que parem, voltem outro dia quando o tempo estiver melhor.
Os dois não me deram atenção. Quando estivesse pronto, me avisariam.
Permaneci no sofá, escutando o trabalho até o anoitecer; o homem mais velho bateu à porta, estava encharcado, parecia doente.
— Está pronto.
— Está pronto?
— Você pode vir, assim podemos ir embora e tudo ficará bem.
O outro segurava uma pá, estava ao lado do monte de terra.
Senti-me aliviado. Fechei os olhos, agora eles podiam ir embora.

terça-feira, 27 de abril de 2010

destino

Nunca errei o caminho, apenas não te conhecia.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

teu corpo

(...) sei que o céu estenderá um azul preguiçoso
e uma risada sem destino será minha (...)
Haroldo Ferreira - Da primavera

não preciso do corpo de qualquer uma, apenas do teu. não quero o teu amor, nem tua piedade: quero o teu sexo,

quinta-feira, 18 de março de 2010

...

Até onde é possível? Te esperei em silêncio, em segredo... Quero beijar os teus pés, lamber a tua resplandecente buceta; dentro dela não tenho lar nem país; nada existe, nem o céu nem as paredes que cercam a tua cama.

Me sinto um vagabundo, um viciado, querendo sentir um ponto de contato, o ponto de contato da tua pele; feito tinta na veia; ópio; eletrochoque; insônia; noites longas; meu corpo em delírio; minha mente perdida; teu corpo em meus olhos; minha noite é um coração batendo; minha noite quer te chamar mas não tem voz; minha noite se incendeia e esvazia-se até não mais sentir a carne.

Sinto falta das tuas palavras, da tua cor, do teu olhar, da ofensa-severina, do teu sexo. Da tua caixinha de segredos.