sexta-feira, 28 de agosto de 2009

CARNAVAL

Não nos conhecíamos. O que havia de comum entre nós? Estávamos no mesmo lugar ao mesmo tempo. Bebíamos. Estávamos sozinhos.
Angélica, a dona do estabelecimento, à princípio tentou nos agradar e nos mandou algumas moças; acho que nenhum de nós disse absolutamente nada. Acho, até, que talvez fossemos mudos.
Agora nos conhecíamos; nos olhávamos no rosto um do outro. A vergonha que sentíamos era compartilhada. Angélica ficou sentada no bar. As moças que havia mandado nos entreter estavam desanimadas, sentadas a um canto.
A caixa de som tocava uma canção de carnaval.
O calor insuportável.
Dor no estômago.
Jejum.
Fizemos sinal a uma jovem ruiva, feia, muito magra, usava roupas íntimas brancas, com rendas.
A porta do quarto era uma cortina de cetim. A cama estava arru-mada com um lençol. O quarto era fedorento.
Ela tentou nos agradar. Fez um tipo de ritual. Chupou nosso pau e disse que podíamos gozar se quiséssemos.
Nosso corpo estava molhado de suor.
Tínhamos o gosto na boca da cerveja azeda.
— A cereja estava azeda — dissemos.
— Goza, goza — ela disse, bolinando nosso escroto.
Gozamos. Gozamos ao mesmo tempo. Aquela mulher era uma lou-ca, nos disse para voltarmos. Disse que tinha nos amado.
Angélica apertou nossa mão e disse que estava ao nosso dispor.
O estabelecimento continuava vazio. O bar estava vazio. As outras moças continuavam sentadas a um canto. A ruiva sentou-se junto a elas.
Na rua, cada um de nós seguiu seu caminho.
O sol estava muito forte.
Havia um clima inusitado de carnaval no ar.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

adalgisa. demorei a entender o significado de seu beijo. seu beijo que tinha a forma de minha glande. meus braços tremiam e meu corpo perdia o equilíbrio. durante meses tive saudade. essa lembrança melancólica de alguém que está distante ou ausente.
adalgisa, o gosto de sua língua não sai de meu corpo, nem o de sua vagina de minha boca.