domingo, 14 de junho de 2009

O CANIBAL DE ROTEMBURG

"Uma gaiola está sempre à procura de um pássaro."
Franz Kafka


Havia passado duas vezes em frente ao ponto do ônibus. Lembrou-se de Armin Meiwes.
A meteorologia anunciava uma semana de tempo seco e frio. O céu ainda mostrava-se escuro e as ruas ainda estavam livres.
Parou o automóvel a uns cinqüenta metros do ponto do ônibus.
Deu marcha à ré.
Ela estava sozinha.
— Estou indo para o Centro — ele disse, abrindo a porta do carona.
Ela usava um casaco preto com capuz. Carregava uma pasta e uma bolsa. Os cabelos estavam presos.
Dentro do carro, a temperatura era agradável.
Ele disse que não se acostumava de maneira alguma ao horário da manhã. Gostava de ficar na cama até bem tarde.
Ela sorriu, já se acostumara com aquilo.
Voltou a pensar em Meiwes e nas duas meninas catarinenses que aceitaram carona…
O que sempre o impressionava era o silêncio, e aquele gosto inexplicável que o estimulava a não voltar atrás.
Olhou-a pela última vez enquanto desacelerava o automóvel.