segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

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Todo o vaporoso da visão abstrata não interessa tanto como a realidade da bela mulher a qual desejamos.
Á. de A.


em pé no ônibus, ninguém tinha idéia do meu prazer. Ia sentindo o teu cheiro, o cheiro do teu corpo, o cheiro das tuas pernas, o cheiro do teu orgasmo, o cheiro da tua buceta.
Como são tristes essas pessoas.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

A CAIXA DE SEGREDOS

Até onde é possível? Te esperei em silêncio, em segredo... Quero beijar os teus pés, lamber a tua resplandecente buceta; dentro dela não tenho lar nem país; nada existe, nem o céu nem as paredes que cercam a tua cama.
Me sinto um vagabundo, um viciado, querendo sentir um ponto de contato, o ponto de contato da tua pele; feito tinta na veia; ópio; eletrochoque; insônia; delírio; noites longas; meu corpo em delírio; minha mente perdida; teu corpo em meus olhos; minha noite é um coração batendo; minha noite quer te chamar mas não tem voz; minha noite se incendeia e esvazia-se até não mais sentir a carne.
Sinto falta das tuas palavras, da tua cor, do teu olhar, da ofença-severina, do teu sexo. Da tua caixinha de segredos.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

OS REIS DA FLORESTA

O que mais chamou sua atenção, além da pequena estatura, foi a agilidade dos olhares: mexiam-se sem parar.
Em algumas selvas africanas eles eram chamados de “os meninos das selvas”. Com suas pernas curtas, cabeças, bocas e narizes um pouco desproporcionais em relação ao tronco, tudo distribuído em não mais de um metro e quarenta. Nunca pensou, em tantos anos vivendo ali, que, para além daquelas árvores, folhagens e trepadeiras que delimitavam sua casa, pudessem existir choças de ramos e folhas – haveria também pirogas? – onde vivessem aqueles seres.
Da primeira vez, apareceu somente um, empunhava uma pequena lança, tendo parte do corpo coberto por uma tanga, os cabelos ralos, um pouco de barba e nada mais. Saiu e voltou rapidamente para a mata. Não houve dúvida de que ficou abismado e assustado com o que viu. O pequeno homem não o enxergou. Seus olhos perderam-se por alguns instantes entre as folhas e galhos; não acreditava, e como poderia? Talvez fosse imaginação, ou algum desconhecido perambulando desavisadamente. Em menos de vinte minutos ele trouxe outros três. Eram pigmeus. Cada um empunhava uma lança, e um deles, que parecia mais novo, um arco e algumas setas. Seus olhos e suas cabeças pareciam girar. O primeiro emitiu sons guturais enquanto apontava para a casa.
Não mais apareceram naquele dia. À noite, escutou pegadas e cochichos. Não se arriscou para a rua.
Esperou em vão no dia seguinte.
Na segunda noite, resolveu chamá-los. Montou um conjunto de lâmpadas, sendo uma delas ultravioleta, dentro de uma caixa envolvida por um pano branco. Colocou-a no meio do quintal.
No início da madrugada ainda havia algum movimento na rua, mas rapidamente o barulho cessou e começaram a surgiu dezenas de besouros e borboletas noturnas, todos procuravam as luzes. Alguns dos insetos eram de um colorido maravilhoso. Um pouco antes do amanhecer o quintal estava tomado de insetos. Resolveu desligar as luzes e voltar para casa.
O dia viera abafado. O locutor do rádio avisava sobre o calor. Antes de fazer a barba, resolveu ir até o quintal. As borboletas e os besouros gigantes haviam desaparecido. Os besouros menores espalhavam-se mortos pela terra. Observando-os é que percebeu duas armadilhas, dois buracos camuflados com ramos. Mas não havia caça para eles. Estariam entre as árvores observando?
Na África, aquelas armadilhas tinham por objetivo aprisionar animais como elefantes, hipopótamos, leopardos. Para abatê-los, usavam lanças que tinham suas pontas cobertas com veneno vegetal. Às vezes, também matavam gorilas, chamando a atenção do animal e fugindo despropositadamente. Quando um dos gorilas os alcançava, um dos pigmeus fingia uma queda e, ao mesmo tempo, firmava sua lança no solo, com a ponta à espera do gorila.
Não se sabe como aqueles pigmeus chegaram da África. Não se sabe o número preciso de pigmeus, mas conseguiu contar, antes da queda, oito homenzinhos.