terça-feira, 13 de janeiro de 2009

BILHETES DE AMOR

Deixou o bilhete na porta da casa. O céu incandescia de estrelas; malditas palavras:
— O mundo é pequeno demais.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

O TEMPO INTERMINÁVEL DAS FORMIGAS

A janela estava fechada, mas sentado com as mãos nos joelhos, escutou quase toda a conversa entre os dois. Após um pequeno silêncio, percebeu o choro. Soluços discretos permeados por palavras de arrependimento. Algumas não entendia, outras não conseguia aplicar à prática. A situação concreta era uma peça de roupa que ele comprara para ela e ela dizia ser muito pequena e não estava de aniversário, ou coisa parecida, para ter ficado guardada em mistério. Porém, o que realmente o impressionou foram os soluços junto às súplicas. Nunca vira o pai fazer aquilo, nem imaginava que pudesse.
Ficou tentando vê-lo, aquele homem grande, forte, cabelos negros, sempre bem cortados acima das orelhas. Tinha orgulho de ser comparado a ele. Mas não lhe agradou a semelhança pelo choro. Sempre dissera que o choro devia ser deixado para as meni-nas, que o choro triste mesmo fica guardado. Esse era o choro das mulheres. O choro de sua mãe.
Levantou-se e correu para um dos cantos do pátio. Sob uma das poucas árvores ficou sentado em uma pedra. Com a ponta do dedo – antes olhou a unha, curta, suja de terra – brincou com algumas formigas, matando-as.
Não se contentou em matar uma a uma, retirar suas pequenas cargas, atrapalhar o caminho que faziam obstinadamente por entre pedrinhas, galhinhos, chumaços de capim. Começou a esmagar as que vinham da direita com a mão; com o pé, as que passavam à esquerda, afinal aquele era o seu território e ninguém mandava ou decidia mais do que ele. Viu o amontoado escuro que havia se formado a sua volta. Mas elas não desistiam, parecendo acelerar o ritmo.
O tempo interminável das formigas lhe veio à cabeça. Ele não soube o significado, coisa mais idiota essas palavras sem significado.

domingo, 4 de janeiro de 2009

TEU NOME

Sinto teu cheiro por todos os lugares que passo. Teu corpo ferve em minha lembrança. Digo teu nome? O alfabeto não suporta a ausência de tuas letras...