segunda-feira, 24 de novembro de 2008

[SILÊNCIO]

Sentado, contando os passos dela. Do meu cigarro, o prazer; dela, a necessidade. Meus olhos, assim, tão ardentes?
Não me enxerga.
Distante, o motor de um avião. Das folhas das árvores, a imagem do vento.
Caminhando, conto os passos dela.
Ninguém nos enxerga.
Silêncio.

domingo, 16 de novembro de 2008

A ÚLTIMA VISITA

Compulsivamente, seguia limpando tudo o que encontrava à sua frente. Sentia-se de-cepcionada. Apenas isso. Tudo excessivamente recolocado em seus lugares. Não havia necessidade em nada daquilo. Ela sabia disso.
Sentou-se no degrau da porta. O combinado era o de chegaram antes das oito ho-ras. Antes do anoitecer. Faltavam dez minutos. Aquela pontualidade era insuportavel-mente exagerada. Por quê?
Tinha convicção de que falhara a vida inteira. Não eram dez minutos, e sim dez anos.
Não conseguira escrever mais do que dez linhas. Falou individualmente a cada um. Pediu desculpas e disse que passara a vida toda sentindo medo. De todos os defei-tos, o que mais a incomodava, e não conseguia mudá-lo, era o orgulho. Desejava que nenhum deles puxasse a ela.
Deixou a porta destrancada. A carta, na mesinha ao lado da porta. Trancada no quarto, deixou de esperar.