sábado, 27 de setembro de 2008

AS MÃOS GORDINHAS, O CABELO PINTADO

As mãos gordinhas, o cabelo pintado. Ajudava aos clientes da agência no manuseio dos caixas eletrônicos.
— Não sei para que tantas senhas — ele disse.
O sorriso dela era inigualável. Perguntou-lhe a que horas saía. Ali perto, um bar, muito discreto.
— Não posso aceitar convite de clientes — ela disse.
— Espero lá fora.
Na esquina do banco havia um posto de gasolina. Chateou um pouco os frentistas. Ao vê-la sair, fez-lhe um sinal.
Ela caminhava delicadamente nos saltinhos.
Seguiram em silencio até o bar. A rua, uma transversal da Pernambuco, via-se ainda um trecho da Farrapos. Muito arborizado aquele pedaço do bairro. Segurava as mãos nos bolsos, havia de controlar-se. O desejo era tê-la naquele instante. Contava demais os dias esperando aquele momento. Muita angústia.
No bar, sentaram-se junto a uma janela. O dia abafado. Ela disse que morava longe, estava tentando trocar de agência.
Tomou dois copos de cerveja: — Estou um pouco nervosa — admitiu.
Ele pegou-a na mão, suava, beijou-lhe os dedos, as unhas à francesinha. Fazia a mesma coisa nos pés? Queria vê-los, ali mesmo, que tirasse os sapatos; ergueu a ponta da toalha da mesa; ela mostrou o pezinho: — Lindo de mais, não? — ele disse.
Fez sinal para o garçom. Deixou boa gorjeta. Na porta do prédio, ela disse que era a primeira vez. No corredor, suava no rosto, no pescoço, resistiu um pouco. Ele puxou-a para escada, o apartamento muito longe, abriu a calça: — Você está louco — ela disse.
No prédio, o corredor sempre uma penumbra.
— Um inferno — ela disse. — Você é um diabo.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

BILHETES DE AMOR

Deixou uma rosa na porta. O céu não estava estrelado; no bilhete, malditas palavras criminosas, simplesmente dizia que a amava: - O mundo é pequeno demais.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

...

No espelho, via apenas a própria raiva. Tirou o canino e guardou-o no bolso. Foi o tempo suficiente para se atirar no outro.