sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

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"Ai, meu amor, sou mesmo um bêbado..."
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"Ainda me quer?"
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sábado, 3 de novembro de 2007

AVANTE, SOLDADOS!

Ele saiu do meio dos outros para atender ao telefone. Ele, o Clint Eastwood. Como alguém pode resistir?A cada vez que se movimenta, levantando os braços como para abraçar o mundo, e deixando à mostra, acima do cós, uma ponta da cueca azul. Olhos brilhando, dentes brilhando... Avante, soldados, avante!

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

CONTOS DE ALGIBEIRA

Lancamento de Contos de Algibeira pela editora Casa Verde no dia 1º de dezembro, sábado, a partir da 18h30 min na Alameda dos Escritores do Shopping Total.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

QUESTÃO DE FAMÍLIA

Chutou a mochila dela até o outro lado da rua.
— Não vai pegá-la?
Durante todo o dia muito calor, e agora soprava um vento abafado.
Ele estava bêbado. Não era desculpa, mas estava bêbado.
Havia pouco tempo recebera uma advertência do condomínio.
Deixou a mochila no meio da calçada. Do apartamento, viu que a mochila não estava mais lá.
De manhã, ligou para a irmã dela.
— O que você quer? — ela perguntou.
Não respondeu.
— Você é um covarde. Não sei como ela te suporta.
A irmã passou o telefone para ela. Os dois ficaram em silêncio por algum tempo.
Estavam juntos desde o colégio. Por que diferente agora? Disse que ela deveria sentir-se feliz por ele gostar dela.
— Você não sente saudades? — ele perguntou.
No telefone a voz tão macia…
— Prometer que vou mudar, não posso. Não posso…
Desligou o telefone e dormiu.
Acordou quando ela abria a porta. A mochila pendurada no ombro, parou ao lado da cama.
Ele havia bebido a noite inteira. O cheiro impregnado no quarto.
— Larga a mochila e deita aqui — ele disse.
Ele era estúpido, nunca soube agradá-la.
Pendurou a mochila na guarda da cama e deitou-se.
Ele, sem dizer nada, olhos fechados. Lhe machucava. Depois caía feito morto na cama.
Bêbado, e morto.

domingo, 28 de outubro de 2007

Caio Fernando Abreu
semamorsoaloucura.blogspot.com

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

JOÃO E O PÉ DE FEIJÃO

Esteve nos altos do Mercado a tarde inteira observando o movimento das pessoas no Bar Naval. O telefone mudo, tentou outras duas vezes; jogá-lo fora?
Sentia o gosto e o cheiro dela: pro inferno se os outros também a comessem.

domingo, 30 de setembro de 2007

A SEUS PÉS

Ninguém a respeitava.O convite vinha dela mesma. Em pé, de costas, segurava-se na árvore. As copas fechadas não nos deixavam ver direito o céu nem a planura do rio. Tinha os olhos e o rosto tão sérios que ninguém olhava direto para ela. Olhávamos apenas o short no chão, aos seus pés.
Todos os anos ficávamos completamente desamparados quando ela era levada à praia. Por três meses escreviamos na beira do Guaíba, Cassino, Cassino, Cassino... A praia mais distante do mundo.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

BONEQUINHA

O ônibus no corredor. Os dois sentados no último banco. Na mão esquerda dela, uma garrafinha com água. O dia abafado. Lá na frente, o cobrador distraído ia lendo o Diário.
Bonequina, heim? sussura inclinando-se para ela.
Ela nem vira a cabeça. Ele dá um jeito de abrir mais a perna. O joelho. A calça de brim. Os olhos dela firmes. Ele, com fome. Adorava comê-las.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

MICROCONTOS

Na expectativa dos "Contos de Algibeira" que será lançado pela Editora Casa Verde. Mais um projeto de micronarrativas do qual participarei com o conto "O João e o pé de feijão".
Em breve alguns contos neste blog.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

domingo, 9 de setembro de 2007

BIENAL DO MERCOSUL

Não se pode deixar de apreciar a exposição do uruguaio Francisco Matto, suas pinturas figurativas e abstratas - tela e madeira - além das esculturas em madeira: tótens.
Também estão por aqui algumas obras do paulista Öyvind Fahlström.
Todos os dois no MARGS.
Eu e o Guilherme já fomos.
Aliás, já estamos nos preparando para a Feira do Livro de Porto Alegre.